A hipófise é uma pequena glândula localizada na base do crânio, logo atrás dos olhos e abaixo do cérebro. Apesar de ter o tamanho aproximado de uma ervilha, ela é conhecida como a “glândula mestre” do organismo por coordenar a produção de diversos hormônios vitais, regulando funções como tireoide, reprodução, crescimento e resposta ao estresse.
Quando ocorre um crescimento celular anormal nessa região, forma-se o tumor de hipófise (na grande maioria das vezes, um adenoma hipofisário benigno). Embora não se trate de um câncer, esse tipo de lesão exige atenção médica especializada, pois seu crescimento ou atividade hormonal desregulada pode desencadear sintomas visuais, neurológicos e metabólicos importantes.
O que é o tumor de hipófise (adenoma hipofisário) e como ele age no organismo
Os adenomas de hipófise dividem-se clinicamente em duas categorias principais:
- Tumores secretores (funcionantes): Produzem hormônios em excesso, gerando desequilíbrios metabólicos mesmo quando ainda são muito pequenos (microadenomas, menores que 1 cm).
- Tumores não secretores (clinicamente não funcionantes): Não apresentam síndrome clínica decorrente de hipersecreção hormonal e frequentemente manifestam-se pelo efeito de massa.
Sintomas visuais e neurológicos: por que a visão periférica é afetada?
A hipófise fica posicionada em uma cavidade óssea chamada sela túrcica, logo abaixo do quiasma óptico — o ponto de cruzamento dos nervos responsáveis pela visão.
Quando o tumor cresce para cima, ele passa a comprimir diretamente essa via visual, gerando manifestações neurológicas e visuais características:
- Perda da visão periférica (hemianopsia bitemporal): O paciente perde gradualmente a capacidade de enxergar as laterais do campo visual, com a sensação de estar olhando através de um túnel. É comum notar tropeços frequentes em portas ou dificuldades para dirigir.
- Visão turva ou dupla: Dificuldade para focar objetos ou imagens duplicadas.
- Cefaleia: pode ocorrer em pacientes com tumores hipofisários, embora sua relação direta com o tamanho ou o efeito de massa do tumor nem sempre seja simples. Por isso, uma dor de cabeça isolada não significa necessariamente que exista um tumor de hipófise.
Sinais e alterações hormonais: da menstruação à libido e fertilidade
Os tumores que afetam a regulação hormonal — especialmente os prolactinomas, que produzem prolactina em excesso — provocam manifestações clínicas diretas no sistema reprodutivo de homens e mulheres:
- Alterações menstruais: Irregularidade nos ciclos ou ausência completa da menstruação (amenorreia).
- Galactorreia: Saída involuntária e espontânea de secreção leitosa pelas mamas em mulheres fora do período de gestação ou amamentação, e raramente em homens.
- Infertilidade: Dificuldade para engravidar devido à supressão dos hormônios que controlam a ovulação ou a produção de espermatozoides.
- Redução da libido e disfunção erétil: Queda marcante do desejo sexual em ambos os sexos e dificuldades de ereção no público masculino decorrentes da diminuição da testosterona.
Alterações físicas: quando o crescimento de mãos e pés indica excesso de GH
Quando o adenoma hipofisário passa a secretar o hormônio do crescimento (GH) de forma autônoma na fase adulta, desenvolve-se o quadro de acromegalia.
Os sintomas instalam-se de maneira lenta e progressiva ao longo dos anos:
- Crescimento das extremidades: Necessidade frequente de aumentar o número dos calçados e anéis que deixam de servir nos dedos.
- Mudanças nos traços faciais: Projeção da mandíbula para a frente (prognatismo), espaçamento entre os dentes, alargamento do nariz e espessamento dos lábios.
- Dores articulares e sudorese excessiva: Inchaço nas articulações, dores generalizadas e transpiração abundante e com odor característico.
Endocrinologista ou neurocirurgião: qual especialista procurar e em qual momento?
O acompanhamento de pacientes com tumor de hipófise costuma ser multidisciplinar, envolvendo o endocrinologista e o neurocirurgião:
- Quando procurar o endocrinologista: Diante de alterações hormonais isoladas (irregularidade menstrual, galactorreia, alterações de peso, disfunção sexual ou suspeita de acromegalia) e para o tratamento medicamentoso inicial de tumores secretores, como prolactinomas que respondem bem a agonistas dopaminérgicos.
- Quando procurar o neurocirurgião: quando a ressonância mostra um macroadenoma ou outra lesão com efeito de massa, especialmente se houver contato ou compressão do quiasma óptico, alterações no campo visual, comprometimento de nervos cranianos, crescimento da lesão ou indicação de tratamento cirúrgico.
Como é feito o diagnóstico e quais são as principais linhas de tratamento
Como é feito o diagnóstico do tumor de hipófise?
O diagnóstico de um tumor de hipófise não depende apenas da ressonância magnética. É necessário avaliar, em conjunto, as características da lesão, a função hormonal da hipófise e, quando indicado, a função visual.
Ressonância magnética
A ressonância magnética da região selar com protocolo específico para a hipófise é o principal exame de imagem para identificar e caracterizar a lesão. O exame permite avaliar o tamanho do tumor e sua relação com estruturas importantes, como o quiasma óptico, os seios cavernosos e as artérias carótidas internas.
A análise dessas relações anatômicas é especialmente importante nos macroadenomas, pois ajuda a determinar o risco de comprometimento visual e a planejar o tratamento, inclusive quando existe indicação de cirurgia.
Avaliação hormonal
A investigação deve verificar se o tumor está produzindo hormônios em excesso e se a presença da lesão está comprometendo a produção normal dos hormônios da hipófise.
Dependendo do caso, podem ser solicitados exames para avaliação de:
Prolactina;
IGF-1, relacionado à produção de hormônio do crescimento;
Cortisol e eixo ACTH, quando houver suspeita de alterações relacionadas ao excesso ou à deficiência de cortisol;
TSH e T4 livre, para avaliação do eixo tireoidiano;
LH, FSH e hormônios sexuais, de acordo com idade, sexo e contexto clínico;
outros exames hormonais quando houver suspeita de deficiência ou excesso de determinado hormônio.
Essa avaliação é fundamental para diferenciar os adenomas funcionantes, que produzem hormônios em excesso, dos adenomas clinicamente não funcionantes, além de identificar possíveis deficiências hormonais provocadas pelo comprometimento da hipófise.
Avaliação da visão
Quando a lesão está próxima ou em contato com o quiasma óptico, pode ser necessária uma avaliação oftalmológica com campimetria visual.
Isso é importante porque alterações do campo visual podem surgir de forma progressiva e, em alguns casos, o paciente pode não perceber inicialmente a perda da visão periférica.
O tratamento pode envolver:
- Acompanhamento clínico e medicamentoso: Uso de fármacos específicos para normalizar a produção hormonal e reduzir o volume tumoral.
- Cirurgia endoscópica endonasal (via transesfenoidal): Procedimento minimamente invasivo realizado através do nariz, sem necessidade de cortes externos na face ou na cabeça, permitindo a retirada do tumor e a descompressão das vias ópticas com alta precisão e recuperação mais rápida.
- Radioterapia/Radiocirurgia: Indicada em casos selecionados para controle de resíduos tumorais ou recidivas.
Apresentar dor de cabeça constante associada a alterações visuais ou disfunções hormonais exige investigação especializada. Agende uma consulta para avaliação clínica detalhada e análise dos seus exames de imagem.
Se você recebeu o diagnóstico de um tumor de hipófise, apresentou alterações hormonais ou encontrou uma lesão na ressonância magnética, a avaliação especializada é importante para definir se o melhor caminho é acompanhamento, tratamento medicamentoso ou cirurgia.
O Dr. Vinícios Rivelli atua na avaliação e tratamento cirúrgico de tumores hipofisários e outras lesões da base do crânio, incluindo abordagens endoscópicas endonasais quando indicadas.
Agende uma consulta para uma avaliação individualizada dos seus sintomas, exames hormonais e imagens.